KRENAK

 

Povos da etnia Krenak-residentes em Minas-Gerais. 


HISTÓRIA DO CONTATO:

O primeiro território ocupado pelo povo Krenak estava localizado no Baixo Recôncavo Baiano. Depois de terem sidos expulsos pelos Tupis eles passaram a ocupar a faixa de floresta paralela, que também é chamada de Floresta Latifoliada Tropical Úmida da Encosta ou Mata Pluvial Tropical. Onde, no século XIX, eles se deslocaram para o sudeste do país, que é onde habitam hoje. 

A História do Contato do povo Krenak inicia-se quando os europeus, denominados Kraí-Kreton invadem seu território em busca de riquezas, exploração de minerais, escravos. Para os Krenak, a natureza é sagrada, e portanto, intocável. O contato entre eles foi de muita agressividade, pois os indígenas resistiram incansavelmente. Nessas guerras foram mortas crianças, mulheres e seus velhos guerreiros que tentavam impedir que eles adentrassem a mata e a destruíssem. Não conseguindo os derrotar por completo, os portugueses então resolveram apelar para falsos relatos de que eles praticavam antropofagia. Assim, Dom João VI decidiu declarar Guerra Justa a eles com a justificativa de que os povos originários estariam atrapalhando o desenvolvimento da região. A guerra teve início em 13 de maio de 1808 através da divulgação da Carta Régia. A Guerra Justa acabou em 1823, que teve duração de 15 anos, sendo um longo período de extermínio. A lei de 27 de Outubro revogou a Carta Régia de João VI, colocando fim na escravidão indígena no Brasil.


Aspectos sociais, culturais e étnicos:

Povos indígenas com adornos labiais. 
Esses povos indígenas são uma das famílias dos conhecidos Botocudos, apelido pejorativo que significa “rolha de fechar barril” dado a eles devido ao uso de adornos labiais e auriculares que utilizavam. 

Os Krenák pertencem ao grupo linguístico Macro-Jê, sua língua oficial é o Borun e apenas as mulheres com mais de quarenta anos são bilíngues, já os homens, jovens e crianças de ambos os sexos falam somente português.  São povos que vivem em uma reserva ao leste de Minas Gerais e com uma população de 150 pessoas. Suas principais fontes de renda e alimentação são a confecção de artesanatos, pecuária, pesca e a agricultura. O povo Krenak  hoje em dia vivem em uma reserva, e só agora suas moradias estão recebendo o saneamento básico. Eles estão incluídos em um projeto do governo chamado “Educação Escolar Indígena” que serve para conservar a cultura dos antigos botocudos, que quase já foram extintos. 

A religião dos krenak: A sua religião era baseada na figura dos Marét e dos espíritos dos seus falecidos denominados de Nanitiong, que eram os responsáveis por fecundarem as mulheres e para a emissão de morte, já os Marét eram os responsáveis pela criação e pelos fenômenos da natureza. Eles também tinham os tokóns que eram as entidades responsáveis pela eleição de seus representantes  dentro da sociedade na terra , os denominados  xamãs,  que eram os responsáveis pelos rituais e também por manter contato com seus Deuses, os xamãs também geralmente eram os líderes da comunidade indígena. Na crença dos Krenak a utilização dos adornos servia para as almas, que eram espíritos que viviam nos corpos dos indígenas, pudessem entrar em seus corpos a partir dos 4 anos de idade, que é o período em que os primeiros adornos são implantados.


PROCESSO DE RESISTÊNCIA, PERMANÊNCIA E LUTAS:

A etnia krenak é uma das que mais sofreram violentações durante toda a sua história. Desde o contato com os portugueses até os dias atuais. Após o fim da escravidão indígena no Brasil, inicia-se mais um processo de luta e resistência desses povos. Em 1902 começa a deterioração da floresta para a extração de madeira para a construção da estrada de ferro Vitória-Minas. Em 1958, ocorre o primeiro o primeiro exílio desta etnia,  o serviço de proteção ao índio retira o povo krenak da sua terra e o encaminha para uma terra índigena maxakali,em Santa Helena de Minas, próximo a divisa de Minas com a Bahia. Após não se adaptarem à tribo dos maxacalis, os povos krenak se opuseram e resolveram voltar a pé para sua terra, nisso eles foram encaminhados à Belo Horizonte e posteriormente ao Rio de Janeiro. Após isso, eles conseguiram voltar ao seu território com acesso a apenas uma pequena área do território e algumas restrições, como por exemplo, de praticar a agricultura e viviam do que o rio doce tinha a oferecer. 

    COMO OS KRENAK SOFRERAM COM A DITADURA MILITAR: Em 1969, no período da ditadura militar criou-se o  Reformatório Krenak que é uma prisão designada aos indígenas, ali os indígenas eram submetidos a trabalho forçado, solidão, falta de alimentação e até mesmo proibidos de falarem sua própria língua. Em 25 de setembro de 1969 nasce a Guarda rural indígena, para fins de policiamento ostensivo das áreas florestais, neste períodos eles obrigados a vestir uniformes militares, além de serem responsáveis por organizar internamente sua aldeia, ainda, eram lhes ensinado técnicas de de tortura e estas podiam ser utilizadas em seus parentes. 

Em 1972 acontece o segundo exílio:  Os Krenak são retirados da sua terra por conta de conflitos com fazendeiros e são levados para a fazenda guarani localizada na Serra do Cipó junto com os Pataxós. Logo após, em 1979 eles retornam ao seu território em Esplêndido. Em 1993 o Sistema Tribunal Federal estabelece a reintegração de quatro mil hectares de terra, no ano de 1997 são anulados a posse de propriedades dos fazendeiros que se instalaram ali através da fundação ruralminas e apenas em 2000 seu território foi demarcado!

Indígena Krenak lamentando a morte do rio Uatu. 
 E hoje? Como eles vem resistindo? Após o rompimento da barragem de Mariana em 2015, o povo krenak foi gravemente afetado, pois o seu sagrado rio “uatu” foi atingido pelos rejeitos. Desde então, eles seguem resistindo a essa grande perda que faz parte da sua cultura, da sua religião e do seu modo de vida. 

Em dezembro de 2015, o ministério público federal de Minas Gerais concluiu uma ação civil pública para cobrar reparações do estado brasileiro para o povo krenak, pois estes sofreram diversas violações de seus direitos no período da ditadura militar. dentre as medidas estão: A preservação da memória dos povos indígenas através do tratamento técnico, a garantia de acesso a todas as documentações das violações dos direitos indígenas decorrentes da instalação do reservatório krenak, da transferência forçada a fazenda Guarani e do funcionamento da guarda rural indígena. 

Mulheres Krenak em Brasília.
Em 2019, foi retirado do ministério da justiça a
Funai, a ouvidoria indígena, o acompanhamento de saúde indígena e o conselho nacional de política indigenista, além de retirar da Funai a demarcação de terras indígenas e o licenciamento ambiental, que estão hoje sob comando do ministério da agricultura. Ademais, o território ocupado pelo povo Krenak hoje, não corresponde a 100% do que era ocupado anteriormente, dessa forma existe a luta pela reintegração do Parque Estadual Sete Salões à reserva indígena do povo krenak.


SUGESTÃO DE MÍDIAS:


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  • O amanhã não está a venda;
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  • Encontros;
  • Ideias para adiar o fim do mundo;
  • A vida não é útil. 

     REFERÊNCIAS:

https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/8/20/borun-krenak-200-anos-de-resistecircncia-agrave-guerra-justa

BAQUEIRO, Maria Hilda. Krenak. Povos Indígenas no Brasil . Disponível em: <https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Krenak>. Acesso em: 04 de jan. de 2022.

CRENAQUES. WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. 2022. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Crenaques&oldid=62773677>. Acesso em: 02 de jan. 2022.

SOARES, PIRES. Letícia, Sophia. Reparação do povo indígena Krenak pelas violações sofridas na ditadura. Centro de Estudos Sobre Justiça de transição. Disponível em : <https://cjt.ufmg.br/2021/09/22/reparacao-do-povo-indigena-krenak-pelas-violacoes-sofridas-na-ditadura-brasileira/> Acesso em 03 de jan. 2022

BARTABURU,  Xavier. Para o povo Krenak, justiça chega meio século depois. Mongabay. Disponível em:  <https://brasil.mongabay.com/2021/10/para-o-povo-krenak-a-justica-chega-meio-seculo-depois/>. Acesso em 04 de jan de 2022.




PESQUISA REALIZADA POR: Adrielly Ferreira de Oliveira, Gabrielly Vieira Silva, Jerry Kauan Versiani Gusmão Cordeiro, Luiz Henrique Santos Pêgo e Mychelle dos Santos Farias.